Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 01
Capítulo 01: Liquidação de Luxo
O tilintar de taças de cristal era o único som que Kang Ha-yoon realmente ouvia, apesar da batida eletrônica grave que fazia o chão da cobertura em Gangnam vibrar. O champanhe estava gelado, mas o suor fino que brotava em sua nuca não tinha nada a ver com a temperatura ambiente. Ela sorriu para um investidor, um gesto automático que não alcançava seus olhos, enquanto seus dedos apertavam a haste do vidro com força suficiente para trincá-lo.
— Doutora Kang, a Aura Botanica é o assunto de Seul — o homem de terno cinza disse, aproximando-se mais do que o necessário. — O mercado diz que a senhora tem sangue de gelo nas veias.
Ha-yoon tomou um gole longo, sentindo as bolhas queimarem a garganta.
— O gelo preserva melhor os ativos, diretor — ela rebateu, a voz seca, cortante. — E eu não gosto de nada que derrete sob pressão.
Ela se afastou antes que ele pudesse responder, seus saltos estalando contra o mármore polido. No centro da sala, Park Ji-hoon, seu CFO e suposto mentor, erguia uma taça em um brinde silencioso. Ele parecia relaxado demais. Confiante demais. Um nó se apertou no estômago de Ha-yoon. Algo no cheiro de perfume caro e dinheiro novo naquela sala parecia... podre.
De repente, o som parou. Não foi um erro técnico. Foi um corte seco, um vácuo que fez os ouvidos de Ha-yoon zumbirem. As portas de carvalho da cobertura foram escancaradas.
O impacto das botas de combate contra o piso soou como tiros. Uma dezena de homens de jaquetas escuras com as insígnias prateadas da Promotoria Financeira invadiu o espaço, cortando o glamour com a eficiência de um bisturi. Os convidados recuaram, o pânico se espalhando como óleo sobre a água.
— Kang Ha-yoon? — O homem à frente não pediu permissão. Ele estendeu um documento plastificado, o papel rangendo sob as luzes dos lustres de cristal. — Temos um mandado de bloqueio imediato de todos os ativos da Aura Botanica. Suspeita de fraude cambial e lavagem de dinheiro.
O mundo de Ha-yoon inclinou. O ar pareceu fugir dos pulmões, deixando apenas um rastro de ozônio e pavor. Ela olhou para Ji-hoon. O CFO não parecia surpreso; ele apenas ajustou a gravata, evitando o contato visual enquanto recuava para as sombras perto da varanda.
— Isso é um erro — Ha-yoon conseguiu dizer, embora sua voz soasse estranha aos seus próprios ouvidos, pequena demais para aquela sala. — Meus advogados...
— Seus advogados já foram notificados, doutora. Suas contas pessoais, as da empresa e até os fundos de P&D estão congelados. A partir de agora, a senhora não é dona de um único milwon nesta cidade.
Ha-yoon sentiu os joelhos fraquejarem. Ela se apoiou em uma mesa lateral, derrubando uma fileira de taças. O som do cristal estraçalhando no chão ecoou pelo silêncio mortal da festa.
A Aura Botanica. Seu legado. Tudo o que ela construiu do nada estava sendo fatiado diante de seus olhos.
Lá embaixo, na rua, as luzes vermelhas e azuis dos carros de polícia começaram a refletir nos vidros da cobertura, transformando o refúgio de luxo em uma jaula colorida.
— Tem mais uma coisa — o promotor continuou, guardando o papel. — O conselho administrativo já se reuniu por videoconferência. Para evitar a falência total antes do amanhecer, eles aceitaram um interventor externo. Ele chega amanhã às oito.
Ha-yoon respirou fundo, tentando conter o tremor nas mãos.
— Quem? — perguntou ela, as palavras saindo por entre os dentes cerrados.
O promotor deu um meio sorriso, aquele tipo de expressão de quem sabe que está entregando uma sentença de morte.
— Baek Do-jin. Da firma de reestruturação Yeouido.
O nome bateu nela como um soco físico. Do-jin. O Estrategista Gélido. O homem que não salvava empresas; ele as desmontava e vendia as peças para quem pagasse mais.
O jogo não tinha acabado de começar. Ele já tinha sido decidido enquanto ela brindava ao sucesso.
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