Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 05
Capítulo 05: O Algoritmo Não Mente
O cursor piscava na tela preta do terminal. Linhas verdes de código começaram a subir em um ritmo alucinante, processando os dados brutos extraídos do servidor espelho da Aura Botanica. Baek Do-jin apertou a ponte do nariz. A dor de cabeça residual latejava bem atrás dos olhos, um lembrete físico de que o corpo humano tinha limites, mas ele ignorou o desconforto. A barra de progresso cravou em 100%. O algoritmo parou de rodar.
O silêncio na sala de vidro era absoluto. A luz do monitor refletiu nos óculos de Do-jin quando ele se inclinou para a frente. Os números não mentiam. O erro humano sempre deixava um rastro, e ele havia acabado de encontrar a artéria rompida.
As transferências classificadas como "expansão de infraestrutura logística" não iam para fornecedores na China continental. O rastreio quebrou o primeiro proxy, depois o segundo, rasgando o disfarce das remessas e escancarando a rota real. Macau.
Contas de holding vinculadas a três dos maiores cassinos da Ásia.
Do-jin recostou-se na cadeira, a respiração lenta e controlada. Ele calculou a cadência dos depósitos na tela. Eram injeções de capital fragmentadas. Lavagem de dinheiro direto do manual básico de fraude corporativa. O dinheiro saía das contas da Aura Botanica, virava fichas VIP nas mesas de baccarat de alto risco e voltava "limpo" para offshores em nome de laranjas nas Ilhas Cayman.
A assinatura de autorização que liberou a trava de segurança do banco não era do gerente contábil assustado da copa.
A tela exibiu o certificado digital. "Park Ji-hoon".
O CFO não estava apenas sangrando a empresa por ganância; ele estava estripando os ativos propositalmente para desvalorizar a marca a zero antes da absorção hostil pelo conglomerado rival. Ele forçaria a falência por dentro.
A porta da sala de conferências abriu com um estalo seco. Kang Ha-yoon parou na soleira. O tailleur escuro e impecável contrastava com os nós dos dedos brancos de tanto apertar a alça da bolsa de couro. Ela não pediu permissão para entrar. Os saltos bateram no piso com a urgência de uma ameaça declarada.
— Minha equipe jurídica informou que você bloqueou o acesso aos servidores externos — a voz dela saiu baixa, ríspida, preenchendo o espaço. — Quem te deu essa autoridade, Baek?
Do-jin não respondeu de imediato. Ele girou a base do monitor lentamente na direção dela. A luz fria da tela iluminou o rosto severo da CEO.
— O seu mentor — ele respondeu, a voz desprovida de qualquer hesitação. — Feche a porta e sente-se, Kang. Você vai querer ver para onde os seus bilhões estão viajando.

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