Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 06

Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 06

Capítulo 06: A Anatomia da Traição

Kang Ha-yoon não se mexeu. Os olhos dela estavam cravados no certificado digital que brilhava no monitor, mas a mente parecia ter entrado em curto-circuito. O ar no escritório ficou subitamente pesado, sólido, difícil de empurrar para dentro dos pulmões. Ela sentiu o sangue sumir das pontas dos dedos, uma dormência fria que subiu pelos braços até os ombros.

— Isso é um erro — ela soltou, a voz saindo como um sussurro seco, quase sem vida. — O Ji-hoon... ele me viu começar essa empresa em uma garagem. Ele me ensinou a ler um balanço patrimonial antes de eu ter idade para dirigir.

— Ele te ensinou muito bem, Kang. Principalmente a parte de onde não olhar — Do-jin não suavizou o tom. Ele se levantou, a sombra de seu corpo sendo projetada sobre as planilhas. — Ele não está apenas roubando. Ele está canibalizando a Aura Botanica por dentro. Cada remessa para Macau é uma lasca do seu legado que ele entrega para os tubarões de Yeouido.

Ha-yoon sentiu o estômago revirar. O suor frio colou o tecido de seda da blusa nas costas. Ela apoiou a mão na mesa de vidro para não vacilar; a transparência do móvel parecia zombar da cegueira que ela ostentou por meses. Ji-hoon, o homem que ela chamava de "mestre", estava operando o bisturi que amputava seu futuro.

— Ele quer a liquidação — ela disse, agora com o maxilar travado, as palavras saindo por entre os dentes. — Se ele desvalorizar os ativos o suficiente, o conselho vai implorar para ser absorvido pelo grupo rival.

— E ele vai ganhar uma cadeira vitalícia na diretoria de lá como prêmio por ter te entregado de bandeja — Do-jin caminhou até a parede de vidro, observando os faróis dos carros lá embaixo, indiferentes ao caos naquela cobertura. — O algoritmo não erra, Kang. O sentimento, sim.

Houve um silêncio longo, preenchido apenas pelo zumbido quase imperceptível da ventilação central. Ha-yoon respirou fundo, forçando os ombros a baixarem. A vulnerabilidade que ameaçou transbordar foi esmagada por uma fúria gélida e pragmática. Ela olhou para Do-jin. O auditor, o homem que ela viera para destruir, era agora o único que segurava a verdade em mãos.

— O que você quer, Baek? — ela perguntou, a voz agora firme como aço. — Se você quisesse me ver cair, teria levado isso direto para a Promotoria.

Do-jin virou-se lentamente. Pela primeira vez, o cinismo habitual não estava presente nos olhos dele.

— Eu vim aqui para liquidar uma empresa morta. Mas eu odeio quando alguém tenta trapacear o meu cálculo — ele se aproximou, parando a poucos centímetros dela. O cheiro de café e exaustão dele era intenso. — Ji-hoon te vendeu. Eu estou te dando a chance de comprar a sua vingança. Mas, para isso, você vai ter que fingir que ainda somos inimigos. Até que o pescoço dele esteja na guilhotina.

Ha-yoon sustentou o olhar. O acordo estava selado no ar carregado da sala. A guerra agora tinha novos generais.


🗣️ A aliança foi formada! Você acha que Ha-yoon vai conseguir disfarçar o ódio por Ji-hoon na frente do conselho? Comente sua teoria!

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