Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 07
Capítulo 07: A Operação Fachada
— Os números desse trimestre são uma ficção absurda, CEO Kang.
A pasta de acrílico bateu contra a mesa de mogno maciço com um estalo seco, reverberando pelas paredes de vidro da sala do conselho. Baek Do-jin não alterou o volume da voz, mas a agressividade do gesto fez os acionistas menores recuarem em suas cadeiras de couro.
Kang Ha-yoon cravou as unhas na palma da mão por baixo da mesa, mantendo o rosto impassível. A luz dos holofotes embutidos esquentava a nuca dela.
— A reestruturação da Aura Botanica exige injeção de capital nas linhas de base, Baek — ela rebateu, a voz carregada de veneno ensaiado. — Se a sua auditoria se baseia apenas em cortar as pernas da empresa para ver se ela rasteja, o seu modelo forense é que está engessado. Não o meu fluxo de caixa.
Na extremidade oposta da longa mesa, Park Ji-hoon levou o copo d’água aos lábios. O CFO escondeu o sorriso de satisfação atrás do cristal. Ele estava adorando o show. O algoritmo implacável de Yeouido e a CEO obstinada se trucidando em público. A cortina de fumaça perfeita.
Quarenta minutos depois, a porta de aço da sala de servidores no subsolo fechou com um clique pesado, travando por dentro. O ar-condicionado ali operava no nível máximo, mantendo as máquinas resfriadas, mas o espaço entre as estantes de metal e os racks piscantes era sufocante.
Ha-yoon soltou a respiração de uma vez, encostando a testa na lateral fria do armário de rede. A postura rígida derreteu.
— Ele engoliu a isca — ela murmurou, a voz áspera pelo esforço de gritar na reunião.
Do-jin parou logo atrás dela. O corredor era tão estreito que o tecido do paletó italiano dele roçou no braço nu dela. O contraste do calor corporal dele contra o frio cortante da sala causou um arrepio involuntário na espinha de Ha-yoon.
— Ele comprou o teatro, mas ainda detém as chaves de autenticação de Macau — Do-jin respondeu, esticando o braço por cima do ombro dela para plugar um pendrive criptografado na porta do servidor. O movimento projetou o corpo dele para frente, prensando Ha-yoon sutilmente contra o aço do rack.
A proximidade era letal. O cheiro de café expresso, sândalo e a tensão elétrica do corpo dele invadiram o espaço pessoal dela. Ha-yoon virou o rosto para responder sobre os tokens de segurança, mas as palavras travaram na garganta. Os rostos estavam a poucos centímetros de distância.
O olhar clínico e frio de Do-jin desceu da tela do monitor diretamente para os lábios dela. Ele parou ali. O movimento do peito dele ao respirar roçou nas costas dela. Por um segundo inteiro, o zumbido ensurdecedor dos servidores pareceu sumir.
— A gente precisa do código do cofre pessoal dele — Do-jin disse, a voz subitamente mais baixa e rouca do que na sala de reuniões. Ele não recuou um milímetro sequer.
A respiração dela falhou. A guerra contra Ji-hoon ainda estava no começo, mas uma trincheira completamente diferente havia acabado de se abrir entre os dois.

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