Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 09
Capítulo 09: A Noite do Código
O rugido dos ventiladores de resfriamento era o único som constante no laboratório de P&D. O termostato marcava dezoito graus, mas o suor brilhava na testa de Choi Min-ho. Seus dedos voavam sobre o teclado mecânico num ritmo frenético, disparando linhas de comando contra o firewall espelho que Park Ji-hoon havia levantado para blindar os arquivos originais.
— O bastardo usou criptografia militar de tripla camada — Min-ho resmungou, sem piscar, a luz verde do monitor refletindo nos óculos de armação grossa. — Se eu errar a chave de descompressão mais uma vez, o servidor vai incinerar os dados automaticamente. Limpeza térmica.
Atrás dele, Seo Yoo-jin cravou as unhas na prancheta de acrílico. Kang Ha-yoon e Baek Do-jin observavam a tela, a tensão esmagando o ar da sala. Faltavam menos de quatro horas para a assembleia de destituição. O relógio corria contra o pescoço deles.
Min-ho parou de digitar. Ele recuou a cadeira, jogou duas garrafas de água mineral sobre a mesa de alumínio e deslizou um frasco escuro para o centro. Era o estoque restrito do laboratório. Fosfatidilserina e colina. O hábito inegociável da equipe de P&D para varar madrugadas sem fritar a rede neural orgânica.
— A gente vai precisar de cada sinapse inteira hoje — ele comentou casualmente, batendo duas cápsulas na palma da mão e engolindo com um longo gole de água. Yoo-jin fez o mesmo. O nootrópico agia nos bastidores, um suporte cognitivo silencioso que afiava o foco e cortava a névoa do esgotamento, blindando a mente para a execução técnica impecável que a próxima meia hora exigia.
Min-ho voltou para o teclado. O estalo seco das teclas recomeçou, ainda mais rápido, cirúrgico.
— Yoo-jin, a liminar de busca cibernética — Min-ho pediu, sem tirar os olhos da tela. — Me dá o número de protocolo. Vou usar a assinatura digital do juiz como cavalo de Troia para mascarar nosso IP.
A advogada ditou os dezesseis dígitos com precisão letal. Do-jin inclinou-se sobre a mesa, os olhos acompanhando os pacotes de dados perfurando o primeiro bloqueio, depois o segundo. O silêncio na sala era tão denso que Ha-yoon podia ouvir o próprio sangue zumbindo nos ouvidos.
A tela piscou em vermelho. Uma janela de erro saltou no centro.
Min-ho travou o maxilar. Ele bateu com o punho fechado na tecla ENTER. O vermelho sumiu, substituído por uma longa e fluida cascata de barras de progresso azuis. Pastas compactadas começaram a despejar no disco rígido externo conectado à máquina de Min-ho. Os balanços originais. As conversas de Ji-hoon com os laranjas em Macau. O rastro do dinheiro sem a maquiagem contábil.
O download atingiu 100%. A ventoinha do computador desacelerou, soando como um suspiro de alívio metálico.
Ha-yoon puxou o pendrive da porta USB com um estalo seco, fechando a mão em torno do metal até os nós dos dedos ficarem brancos. Ela olhou para Do-jin, a fúria predatória apagando qualquer traço de cansaço em seu rosto.
— Vamos trancar as portas daquela assembleia — ela disse, a voz gélida. — O Ji-hoon não sai de lá inteiro.

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