Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 10
Capítulo 10: Vitória Amarga
O silêncio na sala da assembleia era tão espesso que parecia físico. Park Ji-hoon estava parado diante do conselho, o sorriso de triunfo ainda congelado no rosto enquanto observava o telão. Mas a imagem projetada não era a sua nomeação como CEO interino; eram os extratos bancários de Macau, detalhados e irrefutáveis, fluindo como uma sentença de morte digital.
— Isso... isso é uma montagem! — O grito de Ji-hoon saiu esganiçado, perdendo toda a sofisticação habitual. — Segurança! Tirem esses impostores daqui!
Ninguém se moveu. Ha-yoon caminhou até o centro da sala, o som de seus saltos contra o piso de mármore soando como batidas de um martelo de juiz. Ela não precisou dizer uma palavra. A humilhação de Ji-hoon era completa conforme os conselheiros desviavam o olhar, um por um, abandonando o navio que naufragava.
— A sessão está encerrada — declarou o presidente do conselho, com a voz carregada de asco. — E a sua licença profissional também, Ji-hoon.
Duas horas depois, o estacionamento subterrâneo da Aura Botanica estava deserto. O zumbido constante dos exaustores era o único companheiro de Ha-yoon enquanto ela caminhava em direção ao seu carro. O frio do concreto parecia subir pelas solas de seus sapatos, alcançando o peito. Ela havia vencido. A empresa era dela novamente. Então, por que sentia como se tivesse acabado de sair de um desastre aéreo?
— Você caminha como se estivesse indo para o próprio funeral.
A voz de Do-jin ecoou pelas vigas de sustentação. Ele estava encostado na coluna de concreto ao lado do carro dela, as mãos nos bolsos do paletó. A luz amarelada do estacionamento criava sombras profundas em seu rosto exausto.
— Eu perdi tudo em que acreditava, Baek — ela disse, parando a dois metros dele. — Meu mentor, minha confiança... o que sobrou é uma casca cheia de dívidas e processos.
— Sobrou a verdade. É um alicerce melhor do que mentiras, por mais bonitas que elas sejam — ele deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal dela. O ar entre eles, antes carregado de agressividade corporativa, agora vibrava com uma voltagem diferente, crua.
Ha-yoon olhou para cima, encontrando os olhos dele. A adrenalina da assembleia ainda circulava em suas veias, mas a exaustão emocional estava vencendo a barreira. Ela viu o controle de Do-jin fraquejar. Ele estendeu a mão, o polegar roçando suavemente a linha do maxilar dela.
O contato foi o estopim. Do-jin a puxou para frente, e o beijo aconteceu — desesperado, violento e faminto, como se ambos estivessem tentando arrancar o ar um do outro. Era o choque de dois sobreviventes que não tinham mais nada para esconder. Ha-yoon agarrou a lapela do paletó dele, puxando-o para mais perto, sentindo o calor da pele dele contra a sua frieza, enquanto o mundo lá fora continuava a desmoronar em manchetes financeiras.

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