Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 11

Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 11

Capítulo 11: Ressaca Corporativa

O som da chuva batendo contra o vidro da suíte era o único ruído que preenchia o espaço entre eles. Baek Do-jin se afastou primeiro. O movimento foi brusco, quase mecânico, como se tivesse levado um choque de realidade de alta voltagem. Ele ajeitou a lapela do paletó com as mãos ainda trêmulas, os olhos fixos em um ponto qualquer do estacionamento escuro.

Ha-yoon encostou na lataria fria do carro, a respiração pesada, os lábios ainda queimando pelo contato. O silêncio que se seguiu não era confortável; era carregado de uma autocrítica gélida. Ela viu a armadura dele se reconstruir placa por placa, segundo a segundo.

— Isso foi um erro tático — a voz de Do-jin saiu sem emoção, de volta ao tom monocórdico de auditor forense. — Se o conselho ou a auditoria externa souberem que o liquidificador e a CEO estão... em conluio físico, a validade de cada prova que colhemos hoje será anulada em tribunal.

Ha-yoon soltou uma risada curta, sem humor, sentindo o gosto metálico da decepção na boca. Ela limpou o canto do lábio com o polegar, encarando-o com um desafio mudo.

— Tático? É assim que você chama o que acabou de acontecer, Baek? — ela deu um passo à frente, mas ele não recuou, apenas endureceu o olhar. — Você acabou de salvar o meu pescoço e agora está preocupado com a ética profissional de uma empresa que está sangrando?

— Eu sou um auditor, Kang. Se eu perder a minha imparcialidade, eu perco a minha licença. E sem ela, eu não sou nada — ele destravou o próprio carro, as luzes piscando como um sinal de encerramento. — Amanhã cedo, voltamos ao protocolo original. Distância profissional absoluta. Não podemos dar a Ji-hoon nenhuma brecha para nos destruir por conduta imprópria.

Ele entrou no veículo sem esperar resposta. Ha-yoon ficou parada no concreto úmido, observando as lanternas traseiras vermelhas desaparecerem na rampa de saída. O vazio que ficou no peito era mais pesado do que a ameaça de falência.

Naquela noite, o sono não veio. Cada vez que ela fechava os olhos, sentia o toque dele e, logo em seguida, a rejeição cortante. A mente dela trabalhava em dobro, tentando calcular como salvar a Aura Botanica enquanto lidava com o fato de que a única pessoa em quem começava a confiar havia acabado de erguer um muro de concreto entre eles.

O despertador tocou às seis da manhã. Ha-yoon sentiu o corpo como se tivesse sido atropelado. A fadiga acumulada das últimas semanas, somada ao estresse emocional da noite anterior, transformou seus movimentos em tarefas hercúleas. Ela precisava de distância, mas o trabalho exigia que estivessem na mesma sala por mais quatorze horas.


🗣️ Do-jin colocou a razão acima do sentimento. Você acha que ele está sendo prudente ou apenas covarde? Comente abaixo!

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