Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 12
Capítulo 12: O Peso do Estado
O baque do distintivo de metal contra o tampo de vidro quebrou o silêncio matinal da cobertura. Kang Ha-yoon sentiu a garganta secar instantaneamente. Eram três homens. Ternos de corte barato, sobretudos úmidos pela chuva e posturas que exalavam o poder opressor de quem não precisa pedir permissão para entrar. Promotoria Financeira do Distrito Sul de Seul.
— Baek Do-jin — o investigador-chefe pronunciou o nome empurrando uma pasta parda pesada pelo vidro da mesa. — Mandado de busca e notificação prévia. Seus equipamentos, registros de rede e credenciais de acesso aos servidores da Aura Botanica estão confiscados a partir de agora.
Do-jin não piscou. Ele manteve as mãos cruzadas sobre os joelhos, reclinado na cadeira de couro. A frieza habitual de auditor estava lá, mas o músculo do maxilar saltava sob a pele, um tique involuntário que denunciava a pressão do impacto.
— Qual é a acusação? — Ha-yoon interveio, a voz cortando o ar condicionado da sala. Ela avançou um passo, cravando as unhas na palma das mãos para não deixar o tremor transparecer. O investigador ergueu a mão, barrando-a.
— Conluio corporativo, fraude na coleta forense e extorsão contra o ex-diretor financeiro, Park Ji-hoon. — O homem deu um sorriso contido, sem mostrar os dentes. — Temos um depoimento formal de madrugada. A alegação é que o senhor Baek e a CEO orquestraram uma quebra de sigilo ilegal e forjaram relatórios de Macau para manipular a assembleia de acionistas de ontem.
O arrepio na espinha de Ha-yoon foi gelado, paralisante. Ji-hoon não tinha recuado para lamber as feridas; ele havia dobrado a aposta. Ele usou seus contatos na promotoria para transformar a vitória deles em um crime federal. Se a investigação prosseguisse, o conselho da empresa seria forçado a intervir e destituí-la de qualquer forma.
— Vocês têm vinte e quatro horas para me afastar formalmente da reestruturação, correto? — Do-jin disse, a voz num tom assustadoramente calmo. Ele se levantou devagar, ajustando o botão do paletó italiano. — Se eu não apresentar minha renúncia, o mandado de prisão preventiva por obstrução de justiça sai na segunda-feira. É esse o recado de Ji-hoon?
O investigador não confirmou verbalmente, mas o recolher lento do distintivo foi a única resposta necessária. O alvo não era mais apenas a empresa. O alvo era destruir a carreira irretocável do "Estrategista Gélido", forçando-o a abandonar Ha-yoon para não ir parar atrás das grades.
A porta de vidro se fechou atrás dos agentes, deixando um rastro de destruição invisível na sala. Ha-yoon olhou para Do-jin. A distância que ele havia imposto na noite anterior agora parecia um abismo burocrático e letal.
— Eles vão tirar a sua licença, Baek — ela disse, a voz saindo mais frágil do que ela gostaria. — Se você ficar, você vai preso.
Do-jin caminhou até a janela, encarando a cidade cinza lá fora. O silêncio dele era a pior resposta possível.

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