Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 15
Capítulo 15: O Xeque-Mate Dúbio
O som do piano de cauda era abafado pelas cortinas pesadas de veludo que separavam a área VIP do salão principal. Kang Ha-yoon encurralou o lobista de Macau contra o bar de mogno escuro. Baek Do-jin bloqueou a única rota de fuga, os ombros largos barrando a passagem em um ângulo letal.
O homem transpirava tanto que o colarinho engomado de sua camisa estava encharcado. O copo de uísque tremia na mão dele, o gelo batendo contra o cristal.
— Você tem os códigos das offshores — Do-jin disse, a voz num tom baixo, rasgando o ar apenas entre os três. — Ou você transfere o acesso agora, ou o dossiê detalhado com o seu nome e suas contas de custódia vai para a Interpol antes da sobremesa.
O lobista engoliu a seco, os olhos saltando da frieza inabalável do auditor para a postura predatória da CEO. Ele puxou um celular criptografado do bolso interno do paletó. O visor emitiu uma luz azul pálida quando os dedos trêmulos digitaram uma sequência longa. Ele confirmou a transferência da chave de segurança primária e saiu apressado pelo salão, quase esbarrando em um garçom.
A adrenalina bateu forte. Ha-yoon sentiu a pulsação acelerar nas têmporas. Eles conseguiram. A prova definitiva para guilhotinar Park Ji-hoon estava nas mãos deles.
Para confirmar a recepção do arquivo sem atrair olhares dos investidores árabes, Do-jin puxou Ha-yoon pelo pulso para a penumbra do corredor de serviço. O espaço era apertado, cheirando a cera de chão e gelo seco. A luz do corredor piscava fracamente.
O celular no bolso de Do-jin vibrou. Transferência confirmada. A vitória iminente quebrou a rigidez forçada que mantinham desde a noite da chuva. A respiração dele bateu no pescoço dela, quente e irregular. A distância calculada evaporou no escuro.
Do-jin prensou o corpo contra o dela, a mão espalmada na parede ao lado do rosto de Ha-yoon. Os lábios se encontraram com a força de um impacto frontal, dentes raspando, a racionalidade esmagada pelo instinto de sobrevivência e pelo desejo cru acumulado. Ha-yoon cravou as unhas no tecido escuro do paletó dele, puxando-o para mais perto, o tecido do vestido de alta-costura roçando violentamente contra o terno.
Um estalo seco cortou a penumbra.
O clarão branco e rápido do flash rasgou a escuridão do corredor.
Do-jin virou o rosto na hora, os músculos do pescoço retesados. Ha-yoon sentiu o sangue congelar nas veias, a queimação nos lábios sendo substituída por um frio cortante no estômago.
Na ponta do corredor de serviço, a silhueta de Park Ji-hoon abaixava um smartphone. O sorriso nos lábios do CFO era o de quem acabara de fechar a tampa de um caixão. Era o clique letal que transformava a vitória técnica deles no maior escândalo ético e financeiro que Seul já tinha visto.

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