Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 16
Capítulo 16: Colapso das Defesas
O som da fechadura eletrônica travando ecoou seco pela cobertura escura. Baek Do-jin jogou a chave magnética na mesa de vidro do hall com violência. Kang Ha-yoon entrou logo atrás, chutando os saltos agulha para longe com um misto de fúria e exaustão. O impacto dos pés descalços contra a madeira fria subiu pelas pernas, mas o frio no estômago era muito pior.
— Ele tem a foto — ela cravou as unhas nas palmas das mãos até a pele arder. — Ji-hoon vai usar isso amanhã de manhã. O conselho vai me trucidar por corromper a auditoria. Ele transformou nosso rastreio num escândalo sexual.
Do-jin tirou o paletó, jogando o tecido caro sobre o sofá de couro. A respiração dele não estava no ritmo cadenciado de costume. Ele caminhou a passos pesados até o bar encostado na parede de vidro, serviu dois dedos de uísque puro e virou de uma vez. O copo bateu no mármore com um estalo.
— Ele tem uma imagem distorcida num corredor escuro. Nós temos as senhas de três offshores e o rastro de vinte e dois bilhões cravados no nome dele.
— A moralidade pesa mais que a matemática para os acionistas majoritários, Baek. Você mais do que ninguém sabe disso — a voz de Ha-yoon saiu áspera. Ela cruzou os braços, tentando estancar o tremor que começava a tomar conta de seus ombros.
O ambiente cheirava a álcool caro e pura tensão. A barreira invisível que eles vinham mantendo por semanas, feita de cinismo e protocolos de auditoria, havia se desintegrado completamente com o clarão daquele flash no salão. Do-jin deu a volta na ilha de mármore, diminuindo a distância até parar na frente dela.
A proximidade oprimiu o pouco oxigênio que restava na sala. Ha-yoon sentiu o calor irradiando do corpo dele. A mão do auditor subiu, firme, segurando a nuca dela. Os dedos dele embrenharam-se no penteado meticuloso de gala, desmanchando os grampos sem hesitação. O polegar roçou a mandíbula de Ha-yoon, a pele dele levemente áspera.
— Então nós dobramos a aposta — ele disse, a voz baixa, rouca, batendo direto contra o rosto dela.
As defesas intelectuais de Ha-yoon cederam. Ela agarrou o colarinho da camisa social dele com as duas mãos, puxando-o para si. O beijo não teve aviso. Foi uma colisão violenta, o choque de dois predadores que finalmente pararam de lutar contra o próprio instinto de sobrevivência. O gosto do uísque e da adrenalina invadiu a boca dela.
Do-jin a ergueu pela cintura num movimento brusco, prensando-a contra a borda gelada do balcão da cozinha. O zíper do vestido de alta-costura rasgou o silêncio ao ser puxado, e a seda pesada escorregou pelos ombros dela. Não havia mais espaço para fingimento tático ou limites corporativos. Na penumbra da suíte, cercados pela ruína iminente de suas carreiras, o acordo definitivo de proteção mútua foi selado no escuro.

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