Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 17
Capítulo 17: O Preço do Silêncio
O envelope pardo bateu contra o tampo de vidro da mesa da presidência com um estalo seco. Park Ji-hoon não se sentou. Ele permaneceu de pé, alisando o vinco do paletó sob medida com uma calma calculada que fez a bile subir pela garganta de Kang Ha-yoon.
— Abra — ele ordenou, a voz mansa, quase paternal. O mesmo tom que usava antes de apunhalá-la pelas costas.
Baek Do-jin, encostado na estante de mogno no canto da sala, não moveu um músculo. A postura dele era uma rocha de indiferença, mas o osso do maxilar sobressaía sob a pele, travado com tanta força que ameaçava trincar os dentes.
Ha-yoon puxou o cordão do envelope. A fotografia em alta resolução escorregou para fora. A iluminação fraca do corredor de serviço não escondeu nada. A mão de Do-jin possessiva na nuca dela, os corpos colados contra a parede, o vestido de gala quase invisível no aperto violento do beijo. A prova irrefutável de que as barreiras haviam caído.
— Corrupção ativa de auditoria e fraude processual — Ji-hoon ditou, saboreando a pronúncia de cada palavra. — Crimes inafiançáveis, Ha-yoon. A promotoria vai adorar juntar isso com a investigação que já está aberta contra o seu "Estrategista". Vocês perderam toda a credibilidade. Você pega no mínimo cinco anos de cadeia. E o grande Baek Do-jin perde a licença para sempre.
O ar na sala ficou denso, pesado, como se o oxigênio tivesse sido desligado. Ha-yoon escondeu as mãos sob a mesa, cravando as unhas nas palmas até a pele rasgar de leve. O sangue latejava nas têmporas no ritmo dos batimentos cardíacos descontrolados.
— O que você quer? — A voz dela rasgou o silêncio, soando metálica e fria.
Ji-hoon sorriu. Um sorriso desprovido de qualquer empatia. Ele puxou um segundo documento do bolso interno e o estendeu sobre o vidro, exatamente ao lado da foto incriminadora.
— A sua assinatura. O conselho de acionistas já concordou com os termos da venda para o conglomerado rival. Só falta a liberação da acionista majoritária. Assine a liquidação da Aura Botanica agora, renuncie ao cargo de CEO, e essa imagem não vai parar na primeira página dos jornais de Yeouido.
Do-jin desgrudou das costas da estante. O som dos sapatos italianos contra o piso de madeira soou como uma contagem regressiva. Ele parou ao lado da cadeira de Ha-yoon, os olhos escuros cravados no rosto do CFO.
— Isso é extorsão. O Ministério Público não negocia com chantagistas — a voz de Do-jin era gélida, cortando o sarcasmo de Ji-hoon.
— É sobrevivência corporativa, Baek — Ji-hoon não recuou, recolhendo a foto com um movimento rápido. — Vocês têm até as duas da tarde. Se esse contrato de venda não estiver na minha mesa assinado e carimbado, o arquivo original vai direto para o e-mail do procurador-geral. Tic-tac, Ha-yoon.

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