Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 18
Capítulo 18: O Sacrifício
A luz pálida da tarde invadia a sala provisória da auditoria. O silêncio ali não era o da concentração tática; era o silêncio de um abandono recente. Kang Ha-yoon empurrou a porta de vidro, os saltos batendo no piso, mas parou no centro do ambiente. O paletó italiano não estava mais nas costas da cadeira. O laptop corporativo havia sumido.
Sobre o tampo de vidro polido, restava apenas uma pasta parda e uma folha impressa com a assinatura inconfundível de Baek Do-jin.
Ha-yoon pegou o papel. A respiração travou na garganta, seca e dolorosa.
O documento era uma confissão timbrada, endereçada diretamente à Promotoria Financeira do Distrito Sul. Linha por linha, Do-jin assumia a autoria integral de espionagem cibernética unilateral. Ele forjara um histórico falso, alegando ter hackeado o servidor de Park Ji-hoon sem o conhecimento da CEO, visando inflar a taxa de sucesso da própria firma de auditoria.
Na última linha, a carta de demissão formal entregue aos sócios majoritários de Yeouido. Ele estava entregando a licença, a carreira intocável e a própria liberdade. Tudo para blindar o nome dela e da Aura Botanica.
O estômago de Ha-yoon despencou. A folha amassou sob a pressão dos dedos ficando brancos. A imagem dele no corredor, o beijo cru no escuro da cobertura... não foi apenas o colapso das defesas. Foi uma despedida. Ele já havia calculado o sacrifício na noite anterior, enquanto despejavam as defesas no chão.
A raiva subiu pela espinha, rápida e letal, queimando o resto da exaustão e do medo.
— Seu filho da puta arrogante — ela rosnou por entre os dentes, atirando o papel de volta na mesa. — Eu não pedi um mártir.
Ela puxou o celular do bolso da saia de alfaiataria. Discou o número antes mesmo de pensar nas consequências legais. O toque soou duas vezes até a voz metálica e atenta de Seo Yoo-jin atender do outro lado da linha.
— Onde você está? — Ha-yoon cortou qualquer cumprimento.
— No tribunal de apelações. O que aconteceu?
— Do-jin assumiu a culpa de tudo. Ele falsificou um rastro culpando a própria firma e pediu demissão. Ele vai se entregar para a Promotoria amanhã de manhã.
Houve um segundo de silêncio absoluto na linha. Até a diretora jurídica, imune a surpresas, precisou de um instante para processar o peso da informação.
— Ha-yoon... se ele fez isso, você está livre. A empresa sobrevive sem arranhões no nome da presidência. O conselho vai aprovar o arquivamento da venda e afastar o Ji-hoon.
— Cancela a minha blindagem — Ha-yoon caminhou até a janela, encarando a cidade cinza lá embaixo. O reflexo no vidro mostrava uma predadora que finalmente parou de recuar. — Aciona a opção nuclear, Yoo-jin.
— Se eu fizer isso, não tem volta. É destruição mútua assegurada se o Ji-hoon tiver um plano B blindado com os juízes dele.
— Que se dane o plano B. Chame os procuradores federais e mande todos para a nossa assembleia geral amanhã. Nós vamos estripar o Park Ji-hoon em praça pública, e eu não vou deixar o Baek Do-jin pagar essa conta sozinho.

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