Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 19
Capítulo 19: Opção Nuclear
O murmúrio no auditório principal da Aura Botanica era denso e impaciente. Park Ji-hoon ajustou a lapela do terno italiano e inclinou-se sobre o púlpito de acrílico. O imenso telão de LED atrás dele exibia a última página do contrato de fusão e liquidação. Na primeira fileira, o presidente do conselho já havia destampado a caneta-tinteiro, aguardando o final do discurso.
— Com a aprovação da maioria absoluta, nós encerramos um ciclo de dolorosas incertezas — Ji-hoon discursou, a voz aveludada reverberando de forma impecável nas caixas de som. — A venda estratégica salvará nosso capital residual e garantirá o futuro dos acionistas.
As pesadas portas duplas de carvalho maciço no fundo do auditório não foram apenas abertas; elas foram empurradas com tanta força que bateram contra os batentes de bronze com um estrondo semelhante a um tiro.
O auditório inteiro congelou.
Kang Ha-yoon pisou no tapete central. Os saltos agulha cravavam no chão, marcando o ritmo de uma marcha de execução. À direita dela, Seo Yoo-jin segurava um laptop de carcaça metálica. À esquerda, caminhava Baek Do-jin. O "Estrategista Gélido" não trajava o habitual distanciamento profissional; a postura era dura, os olhos cravados no palco com uma letalidade cirúrgica. Logo atrás do trio, quatro homens corpulentos ostentavam crachás reluzentes da Promotoria Financeira do Distrito Sul de Seul.
Ji-hoon travou no meio do palco. O sorriso polido derreteu da face dele. O sangue sumiu do rosto do CFO de maneira tão brutal que a pele adquiriu um tom cinzento quase instantâneo.
— Desliguem os microfones! — Ji-hoon gritou, a voz subitamente esganiçada, batendo a palma da mão espalmada no púlpito. — Segurança! Tirem essas pessoas daqui!
Nenhum segurança se moveu. A presença dos distintivos federais era uma âncora de chumbo na sala.
— Assuma a projeção, Yoo-jin — Ha-yoon comandou, parando a cinco metros dos degraus do palco.
A advogada conectou o terminal portátil a um ponto de rede embutido no piso. O telão principal piscou violentamente. O contrato de venda desapareceu. Em seu lugar, um diagrama de fluxo de caixa em tempo real inundou a tela com dezenas de ramificações vermelhas piscando em loop.
— Vinte e dois bilhões de won — Do-jin cortou o silêncio estático do auditório, a voz projetando-se afiada sem precisar de qualquer amplificação. — Sangrados das contas da Aura Botanica, maquiados como infraestrutura logística na China, e lavados nas mesas VIP dos cassinos de Macau. O conselho está prestes a assinar um recibo de extorsão.
Os acionistas começaram a se levantar, o barulho das cadeiras arrastando escalando rapidamente junto com os sussurros de choque.
O telão deu um zoom agressivo no destino final do dinheiro. Os códigos complexos das offshores nas Ilhas Cayman sumiram, finalmente decodificados pelo algoritmo de Min-ho, revelando um CPF sul-coreano e uma conta fiduciária blindada em um banco de Gangnam.
O nome do titular brilhou no painel de LED: Lee Soo-jin.
O microfone escapou das mãos de Ji-hoon, despencando e gerando uma microfonia aguda e ensurdecedora ao bater no chão. Era o nome de solteira da esposa dele.
— Você exigiu a liquidação para cobrir o abismo que você mesmo cavou nas nossas contas — Ha-yoon deu o último passo até a beirada do palco, sustentando o olhar do homem em ruínas. — A sua cadeira vitalícia na diretoria rival foi comprada com a minha empresa. E o rastreio da polícia federal acabou de bater na porta da casa da sua esposa.
O investigador-chefe da promotoria, o mesmo homem que ameaçara prender Do-jin dias antes, subiu os degraus do palco a passos pesados. Ele puxou um par de algemas do cinto tático. O estalo metálico das travas sendo abertas ecoou absoluto pelo salão.

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