Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 20

Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 20

Capítulo 20: Sangue Novo, Guerra Velha

O som metálico das algemas travando nos pulsos de Park Ji-hoon cortou o ar viciado do auditório. O ex-diretor financeiro não gritou. O choque fechou sua garganta. Ele foi arrastado pelos agentes federais pelo tapete central, a sola dos sapatos italianos raspando no chão sem resistência. Os olhos dele estavam opacos, vazios, ainda cravados no telão de LED que exibia o mapa de sua ruína criminal.

Kang Ha-yoon soltou o ar de uma só vez, os ombros caindo ligeiramente enquanto a tensão crônica abandonava seus músculos. A ferida interna estava estancada. O pesadelo havia morrido no palco.

Quarenta e oito horas depois, os painéis da bolsa de valores de Yeouido piscaram em um verde fluorescente cegante. As ações da Aura Botanica não apenas se recuperaram; elas estraçalharam o teto histórico da empresa. A limpeza corporativa visceral injetou pânico nos rivais e um frenesi absoluto nos investidores de risco. O mercado adora sangue, mas adora ainda mais quem sobrevive ao massacre.

Na cobertura agora restaurada e silenciosa, a mesa de vidro de Ha-yoon não sustentava mais relatórios de falência ou contratos de liquidação. Apenas um documento oficial de parceria societária.

Baek Do-jin terminou de ler a última cláusula. Livre da promotoria, do conselho de ética e de sua licença de auditoria, ele usava um terno escuro desabotoado, o nó da gravata afrouxado. Ele assinou a linha pontilhada com um traço ríspido, atirando a caneta sobre o vidro.

— Bem-vindo à diretoria, Co-CEO Baek — Ha-yoon empurrou o copo de uísque pelo vidro até encostar no pulso dele.

— Eu avisei que odeio perder um cálculo, Kang — ele rebateu, a voz rouca. A mão dele ignorou o cristal e agarrou o pulso dela com firmeza. O puxão foi exato, anulando qualquer espaço tático restante. Ela deu a volta na mesa, o corpo batendo contra o braço da cadeira de couro.

Não havia mais auditores, câmeras escondidas ou ameaças de prisão. Do-jin cravou a outra mão na cintura dela, puxando-a para um beijo pesado, dominante e definitivo. Era a cobrança do acordo feito na escuridão, agora sob as luzes da cidade que eles acabaram de conquistar.

Trinta andares abaixo, no subsolo da Aura Botanica, o laboratório de P&D operava no escuro absoluto. O ar-condicionado mantinha a temperatura cravada em dezoito graus.

De repente, o monitor principal de Choi Min-ho saiu do modo de hibernação. Uma sequência de código vermelho-sangue rasgou o firewall de segurança máxima como se fosse papel. A ventoinha do servidor gritou em protesto físico. O sistema de defesa não detectou uma extração de dados, mas uma injeção hostil massiva. O IP invasor foi mascarado trezentas vezes em três segundos, saltando da Rússia para Macau e travando permanentemente em Xangai.

A tela piscou, ficou preta e cravou uma única frase no centro do monitor em caracteres mandarins brancos brilhantes, seguida da tradução em coreano:

"A patente original é nossa. Estamos indo buscar."


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