Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 14
Capítulo 14: O Cerco se Fecha
O décimo quinto andar chegou com o peso de uma bigorna. As pernas de Antonella queimavam, o ácido lático rasgando os músculos das coxas a cada degrau de concreto cinza. O silêncio na escadaria de emergência era opressivo, quebrado apenas pelo chiado da respiração pesada de Dante logo atrás dela.
O sangue dele gotejava no chão. O cheiro de cobre fresco misturava-se ao odor estéril de poeira e tinta industrial. Dante apoiou o ombro bom na parede oposta, o rosto pálido sob a luz fluorescente que piscava no teto. Ele apertou a jaqueta sobre o ferimento, os dentes trincados até a mandíbula estalar.
— Faltam nove — sussurrou Antonella, parando no patamar e encostando as costas na parede fria para checar o corredor através do visor de vidro da porta corta-fogo. Vazio.
Antonella não sentia pena. A empatia parecia ter sido completamente desligada. O composto fitoterápico de Dona Malva continuava ancorando o sistema nervoso dela numa frieza implacável. O coração batia forte pelo esforço físico extremo, mas a mente era um lago escuro e gelado. O bloqueio dos picos de cortisol afastava qualquer sombra de pânico. Ela sabia que, se Dante desmaiasse ali, ela o deixaria para trás sem pensar duas vezes.
— Eu chego lá em cima — rosnou Dante, lendo a avaliação gélida nos olhos dela. Ele trocou a pistola de mão, empunhando o aço com a esquerda manchada de sangue. — Anda.
Eles retomaram a subida. Vigésimo andar. Vigésimo primeiro. O ar parecia ficar mais rarefeito e gelado à medida que se aproximavam da cobertura.
No vigésimo terceiro andar, o som de botas pesadas descendo os degraus congelou Antonella no meio do patamar. Alguém estava fazendo a ronda de perímetro. A porta do vigésimo quarto andar soltou um baque metálico abafado, indicando que a entrada para a cobertura não estava apenas trancada, estava sendo patrulhada ativamente por dentro da escadaria.
Antonella ergueu o punho fechado, sinalizando para Dante travar. Ela colou o corpo na quina do corrimão. Pelo vão estreito da escada, viu o cano de uma submetralhadora Heckler & Koch despontar dois lances acima, acompanhado do feixe da lanterna tática varrendo os degraus.
O homem descia devagar, o solado de borracha chiando no cimento. Dante estava fraco demais para um combate corpo a corpo, e um tiro de fuzil naquele corredor fechado alertaria o andar inteiro antes que eles tivessem a chance de abrir a porta.
Antonella abaixou o fuzil devagar, apoiando-o no chão. As mãos alcançaram o cinto e puxaram a faca tática. A lâmina escura, desenhada para não refletir a luz, parecia uma extensão natural dos dedos dela. Ela olhou para Dante e fez um sinal rápido com a cabeça. Ela mesma cuidaria daquele pescoço.

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