Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 13
Capítulo 13: No Fio da Navalha
O SUV blindado, agora marcado por perfurações profundas na lataria e com o para-brisa parecendo uma teia de aranha fosca, mergulhou na rampa de acesso do estacionamento subterrâneo do Plaza Atalaia. A cancela de segurança já estava levantada, e a cabine do guarita, vazia. O caos na rodovia tinha sugado a maior parte do contingente de Matteo, deixando o perímetro do hotel vulnerável.
Dante desligou o motor no terceiro subsolo. A escuridão ali era cortada apenas por lâmpadas de emergência que zumbiam baixo. O cheiro de pneu queimado e óleo de motor quente subiu pelas saídas de ar do carro.
Antonella ejetou o carregador do fuzil, verificou as munições restantes e bateu o pente de volta com um estalo seco. O seu rosto, refletido no espelho retrovisor quebrado, não exibia a expressão de uma presa acuada. Graças à intervenção botânica daquela noite, o seu sistema nervoso não havia entrado em colapso. O composto natural mantinha o cortisol na coleira, permitindo que a sua mente operasse num estado de fluxo mortal. Ela estava pronta para matar o fantasma do seu passado.
— Você está sangrando — ela murmurou, os olhos descendo para o braço esquerdo de Dante.
O italiano olhou para a mancha escura que se espalhava pela jaqueta de couro, pouco abaixo do ombro. Um estilhaço do chumbo cruzado no manguezal havia passado pela porta danificada. Ele apertou o ferimento com a mão direita. O sangue escorreu entre os dedos grossos, mas a expressão dele não mudou.
— Não pegou os tendões. Dá para puxar o gatilho. — Dante abriu a porta do carro e pisou no concreto molhado do estacionamento. — O elevador de serviço fica no setor norte. Se o Matteo for o bastardo paranoico que eu me lembro, ele travou o acesso principal e deixou dois cães de guarda na cobertura.
Eles avançaram pelas sombras dos pilares de concreto, os passos abafados pelas poças de água da chuva que vazava do teto. A respiração de Antonella era controlada. Cinco anos atrás, a ideia de enfrentar a guarda pessoal do Capo faria as suas pernas cederem. Hoje, o peso do fuzil nas mãos e o sangue frio nas veias diziam outra coisa.
A porta de aço do acesso de serviço estava encostada. Dante empurrou com o cano da pistola. O corredor que levava aos elevadores fedia a desinfetante barato. No final do trajeto, a luz vermelha do poço do elevador indicava que a cabine estava estacionada no último andar.
Antonella olhou para o painel digital. O número 24 piscava lentamente.
— A gente não vai subir pela caixa de metal. É um caixão pré-fabricado — sussurrou ela, apontando para a porta das escadas de emergência à direita. — Vinte e quatro andares. Passo a passo.
Dante limpou o suor ensanguentado da testa com as costas da mão e destravou a arma.
— As pernas são suas, Giulia.

Comentários
Postar um comentário