Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 16

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 16

Capítulo 16: Sangue no Tapete

O plástico preto do cartão magnético deslizou pela fenda do leitor com um farfalhar quase inaudível. A luz de segurança piscou do vermelho para o verde, destravando a pesada fechadura eletrônica com um estalo metálico seco. O ar condicionado gelado e o cheiro de charutos caros vazaram para o corredor de concreto da escadaria.

Antonella não hesitou. Ela chutou a porta com a bota, abrindo-a num estrondo que engoliu a música clássica que tocava no interior da cobertura. O fuzil já estava nivelado na altura do peito, o olho esquerdo fechado, o direito alinhado com a mira de trítio brilhante.

O salão principal do Plaza Atalaia era uma exibição obscena de luxo. Sofás de couro branco gelo, tapetes persas espessos e uma parede inteira de vidro temperado que oferecia uma vista panorâmica do oceano revolto de Aracaju. Mas a atenção de Antonella não estava na decoração. Ela focou nos dois homens de terno escuro que jogavam cartas na mesa de centro.

Eles eram profissionais, mas o choque da invasão lhes roubou o milésimo de segundo vital. Quando o primeiro guarda tentou puxar a pistola do coldre sob o paletó, o fuzil de Antonella cuspiu fogo duas vezes. O som ensurdecedor no ambiente fechado estilhaçou os copos de cristal no bar.

O primeiro atirador caiu para trás, o peito rasgado pela munição de alta velocidade, manchando o couro branco do sofá de vermelho escuro. O segundo homem conseguiu sacar a arma e mergulhar para trás do balcão de mármore. Os tiros de revide dele passaram raspando pelo umbral da porta, arrancando lascas da parede ao lado do rosto de Antonella.

Ela não piscou. Não houve o recuo instintivo de medo, nem a aceleração descontrolada do coração que paralisa um civil num tiroteio. A alquimia botânica de Dona Malva trabalhava em silêncio no seu sangue, ancorando a sua mente numa calmaria gélida. Sem o envenenamento pelo cortisol, a percepção temporal de Antonella parecia dilatar. Ela via a trajetória das balas rasgando o ar e calculava os ângulos com a frieza de um computador balístico.

Antonella avançou para o interior do salão, ignorando a cobertura. Ela atirou na garrafa de uísque escocês em cima do balcão, espalhando álcool e vidro na direção do atirador escondido, forçando-o a se mover. Quando a cabeça do italiano despontou por trás do mármore, o cano da pistola de Dante, encostado no batente da porta, cobrou o preço. Um único tiro cravou-se na testa do homem. Ele desabou pesadamente contra o chão de granito, e o salão mergulhou novamente no silêncio, quebrado apenas pelo chiado do ar condicionado.

— O rádio — alertou Dante, a voz áspera, apontando a arma para o chão. O comunicador do primeiro guarda caído chiava estática.

A voz grave e inconfundível de Matteo soou pelo pequeno alto-falante, vinda de trás de uma porta dupla de mogno escuro no final do salão.

Che succede lì fuori? (O que está acontecendo aí fora?) — rosnou o Capo, a irritação evidente.

Antonella caminhou sobre o tapete persa, os cacos de cristal triturando sob as suas solas. Ela parou de frente para a porta de mogno. O fantasma não estava mais fugindo.


🗣️ Antonella e Dante limparam a sala e agora só resta uma porta entre ela e Matteo, o Capo da Máfia! O que você acha que vai acontecer quando ela abrir essa porta de mogno? Comente abaixo!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 01

Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 01

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 02