Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 21

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 21

Epílogo: O Amanhecer da Predadora

A gravidade cobrou o seu preço por três longos segundos de escuridão total. Quando a cabine atingiu o limite de velocidade de segurança do poço, os freios mecânicos de emergência armaram. O impacto não foi suave. O atrito brutal do aço contra o aço gerou uma chuva de faíscas laranjas que iluminou o fosso, e o elevador parou com um solavanco violento a meio metro dos amortecedores do subsolo.

Antonella e Dante foram jogados contra o piso de compensado de madeira. O impacto tirou o ar dos pulmões dela, mas não quebrou nenhum osso. Acima deles, nos andares superiores, o eco distante de gritos e botas pesadas descia pelas escadas. O império de Matteo estava decapitado e em pânico.

— Estamos inteiros — ofegou Dante, forçando-se a levantar com a ajuda do braço bom. Ele chutou o alçapão de serviço no teto da cabine, que os italianos fatalmente usariam para descer, e o travou por dentro. — Mas temos que sair da caixa.

Eles forçaram a porta do subsolo. O estacionamento estava mergulhado no caos das luzes giratórias das viaturas que bloqueavam a rampa principal, mas a saída de serviço dos funcionários, que dava para a rua lateral do hotel, estava completamente desguarnecida. Eles deslizaram para a noite úmida de Aracaju, invisíveis como os fantasmas que Matteo tanto temia, desaparecendo nos becos antes que o primeiro policial subisse para a cobertura.

A luz do sol já começava a pintar o céu de laranja e violeta quando o carro roubado por Dante finalmente estacionou na terra batida do santuário, na Zona de Expansão. O cheiro de maresia misturava-se ao aroma reconfortante de terra molhada e alecrim.

Dona Malva estava na varanda. Ela não parecia surpresa ao ver a filha adotiva coberta de graxa e com respingos de sangue na jaqueta, muito menos ao ver o gigante italiano tropeçando para fora do carro, segurando o ombro perfurado. A matriarca apenas assentiu, virou as costas e foi para a cozinha preparar os emplastros e a sutura.

Antonella sentou-se na cadeira de palha da varanda. O efeito agudo do composto botânico começava a deixar a sua corrente sanguínea, mas, em vez do rebote de estresse que ela esperava, havia apenas um vazio tranquilo. O medo crônico que a acompanhou por cinco anos havia morrido no tapete persa daquele hotel.

Ela abriu a bolsa de lona e colocou o laptop militar de Matteo sobre a mesa rústica. Ao lado, o caderno de couro negro e o telefone satelital.

Dante, encostado na pilastra de madeira enquanto Dona Malva limpava o ferimento dele com uma solução de ervas que ardia como fogo, olhou para a tela escura do computador.

— O conselho na Itália vai nomear um novo Capo até o fim da semana — avisou ele, a voz rouca de exaustão. — Eles vão vir atrás da gente, Antonella. Não vão deixar barato.

Antonella abriu a tela do laptop. Ela não era mais a Giulia, a garota assustada que fugiu na calada da noite. E também não era apenas a Antonella do ateliê de vidro. Ela era a herdeira da sabedoria letal daquele santuário.

— Deixe que venham — respondeu ela, os olhos verdes brilhando frios e calculistas sob a luz da manhã. Ela tocou a capa do caderno negro de Matteo, onde todos os podres e as finanças da máfia no Brasil estavam anotados. — Eles acham que estão caçando uma desertora. Mas agora, nós temos o mapa do tesouro deles. E a partir de hoje, Dante... nós é que vamos ditar o preço do pedágio.


🗣️ Fim da Primeira Temporada! O império da máfia caiu em Aracaju e Antonella agora tem os segredos do conselho nas mãos. De caça, ela virou caçadora! O que você achou desse final eletrizante? Quais são as suas teorias para a segunda temporada? Comente abaixo!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 01

Ativos Tóxicos: Temporada 1 – Capítulo 01

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 02