Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 05

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Capítulo 05: Ecos no Distrito Industrial

Dante desligou o motor do SUV a duas quadras do endereço. O Distrito Industrial de Nossa Senhora do Socorro era um cemitério de concreto àquela hora da madrugada. O cheiro de asfalto molhado misturava-se ao odor metálico de ferrugem que vinha das fábricas adormecidas.

Eles caminharam em silêncio. As botas de Dante não faziam som ao tocar o cascalho úmido, e Antonella acompanhava o ritmo, pisando exatamente onde ele pisava. A sua mente estava estranhamente afiada. O pânico paralisante que a havia engolido na fuga já não existia. A blindagem química do composto de Dona Malva mantinha os seus níveis de cortisol sob controle absoluto, permitindo que a racionalidade fria tomasse o lugar do desespero.

O galpão de estoque do ateliê erguia-se no final da rua, um caixote de zinco e alvenaria manchada. Uma luz fraca e trêmula vazava por baixo da porta lateral de metal. Antonella fez um sinal para Dante, apontando para a pequena entrada de ventilação enferrujada perto do solo.

Dante puxou a pistola, encostou as costas na parede fria e espiou pela fresta. O maxilar dele travou.

— Ele está lá dentro — sussurrou Dante, virando o rosto para ela. — E está nervoso. Andando em círculos feito um animal enjaulado. Posso derrubar a porta e apagar ele antes que ele pisque.

Antonella balançou a cabeça, os olhos verdes escuros e duros sob a luz rala da rua.

— Não. O Vincenzo é meu. Precisamos saber o que ele disse aos italianos antes de calar a boca dele.

Ela tirou uma chave do bolso de trás da calça. A chave reserva da porta lateral que Vincenzo não sabia que ela tinha. Antonella encaixou o metal no tambor com uma lentidão calculada. O clique da fechadura soou como um tiro no silêncio da rua, mas o eco de uma carreta distante abafou o ruído.

A porta rangeu levemente ao abrir. O interior do galpão cheirava a poeira e madeira úmida. Pilhas de chapas de vidro temperado formavam um labirinto no centro do espaço. No meio dos paletes, iluminado por uma lâmpada fluorescente que piscava, Vincenzo digitava freneticamente no celular. O suor manchava o colarinho da sua camisa cara.

Dante levantou a arma, mirando a base do crânio do traidor, mas Antonella colocou a mão espalmada no peito dele, parando o movimento.

Ela deu um passo à frente, saindo das sombras das prateleiras de aço. O salto da bota estalou no concreto de propósito.

Vincenzo congelou. O celular escorregou das mãos dele, caindo com um baque seco no chão sujo. Quando ele se virou, a cor sumiu completamente do seu rosto. Ele recuou, tropeçando numa caixa de papelão, até as costas baterem numa pilha de vidro.

— Giulia... — a voz dele falhou, fina e aguda. — Eu juro, eu não tive escolha. Eles ameaçaram a minha família.

— Você não tem família, Vincenzo — respondeu Antonella, a voz baixa ecoando pelo metal do galpão. Ela continuou a caminhar em direção a ele, lenta e implacável. — E o seu maior erro foi achar que a máfia era o pior monstro que poderia bater na sua porta hoje.


🗣️ Antonella encurralou o judas! Você acha que ela vai sujar as mãos agora ou Vincenzo ainda tem alguma carta na manga escondida no galpão? Deixe seu palpite nos comentários!

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