Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 07

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 07

Capítulo 07: Clareza Letal

O estalo metálico do cão do revólver foi engolido por um estrondo ensurdecedor.

Não foi o 38 de Vincenzo que disparou. O clarão iluminou o galpão por uma fração de segundo, e o cheiro áspero de pólvora queimada empurrou a poeira para o alto. Vincenzo soltou um engasgo úmido. Os olhos dele se arregalaram, fixos no próprio peito, onde uma mancha vermelha escura começou a brotar pela camisa social cara.

A pistola de Dante ainda fumegava a poucos centímetros do ombro de Antonella, apontada com precisão militar.

O corpo de Vincenzo cedeu de uma vez, escorregando pelos paletes e caindo de cara no concreto sujo. O revólver enferrujado quicou no chão com um baque surdo, deslizando para longe do alcance de qualquer mão.

Antonella não gritou. O ouvido esquerdo zumbia pelo disparo no ambiente fechado, mas o seu pulso continuava no ritmo. Sem a blindagem botânica controlando as rédeas do seu sistema nervoso, um tiro à queima-roupa e um homem morto a seus pés teriam provocado um ataque de pânico paralisante. Em vez disso, a clareza induzida pelas ervas permitiu que ela apenas observasse o sangue escorrer em direção a um caco de vidro temperado.

— Você não precisava ter matado ele — disse ela, a voz saindo firme, raspando no silêncio pesado do galpão.

— Ele ia puxar o gatilho, Giulia. — Dante abaixou a arma, destravando o carregador num movimento mecânico para checar a munição. — E nós já temos a informação que viemos buscar. Matteo está aqui.

Ouvir aquele nome em voz alta fez a garganta de Antonella apertar. Matteo. O Capo. O homem que governou a vida dela na Itália e o mesmo que ela quase matou para conseguir fugir. Ele não cruzaria o Atlântico para mandar soldados fazerem o trabalho sujo. Ele queria ter o prazer de rasgar a vida dela com as próprias mãos.

O uivo fraco de sirenes começou a cortar a madrugada de Socorro. O tiro de calibre pesado não tinha passado despercebido pelas guaritas de segurança das fábricas vizinhas.

— Temos menos de três minutos antes que a primeira viatura dobre a esquina — alertou Dante, guardando a pistola no cós da calça. Ele agarrou o braço dela. — Precisamos sumir. Se o Matteo está em Aracaju, a polícia é o menor dos nossos problemas.

Antonella olhou uma última vez para o corpo de Vincenzo. A mulher que ela fingiu ser nos últimos três anos teria chorado pela traição. A mulher que ela realmente era, pisou por cima da poça de sangue sem pestanejar e caminhou em direção à saída.

— Para onde agora? — ela perguntou ao sair para a rua úmida, o ar frio da madrugada batendo no rosto suado.

— A gente precisa de armas de verdade — respondeu Dante, destravando o SUV com o controle remoto. — E eu conheço um cara no centro da cidade que não faz perguntas.


🗣️ Com a polícia chegando e o Capo da máfia na cidade, Antonella e Dante vão atrás do submundo de Aracaju para se armar. Será que esse novo contato é confiável ou eles estão caindo em outra armadilha? Comente sua teoria!

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