Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 10

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 10

Capítulo 10: Passos de Gato

Uma garoa fina começou a cair sobre a Orla de Atalaia, esfriando o asfalto e forçando os turistas retardatários a buscarem abrigo. Do outro lado da avenida, um dos seguranças de terno escuro se separou do grupo na entrada do Plaza Atalaia. Ele encolheu os ombros contra o vento úmido e caminhou em direção a um beco lateral, buscando um canto seco para acender o cigarro.

Dante destravou a porta do SUV num movimento mudo. Antonella já estava com a maçaneta puxada. Eles deslizaram para fora do carro como sombras se desprendendo do metal.

Os passos dela no concreto molhado eram inexistentes. O treinamento antigo, que ela passou anos tentando afogar na rotina de empresária, voltou com a brutalidade de um reflexo condicionado. A sua mente operava num silêncio absoluto. A tempestade de ansiedade que ameaçava engoli-la meia hora atrás continuava bloqueada pelos compostos botânicos no seu sangue. Com o sistema nervoso central estabilizado pela fórmula de Dona Malva, a mão que segurava o cabo frio do fuzil não tremia um único milímetro.

O segurança italiano encostou na parede de tijolos do beco. O isqueiro Zippo estalou, a chama laranja iluminando o rosto áspero e a cicatriz na linha do maxilar. Ele deu o primeiro trago, fechando os olhos.

Quando os abriu, Dante já estava lá.

A mão maciça de Dante esmagou a garganta do homem, cortando o grito e o ar no mesmo segundo. O cigarro caiu na poça d'água com um chiado. Antes que o italiano pudesse sacar a pistola no coldre axilar, Antonella surgiu pela esquerda. Ela cravou o cano curto do fuzil sob as costelas do homem, forçando-o contra os tijolos com uma violência contida.

— Se você tentar respirar mais alto do que eu permitir, o seu pulmão vai virar patê — sussurrou Antonella, o sotaque italiano rasgando o disfarce de mulher de negócios brasileira. O olhar dela era gelo puro.

O guarda arregalou os olhos. Ele reconheceu o rosto de Giulia. A mulher que o Capo mandou caçar.

Dante afrouxou a pressão no pescoço apenas o suficiente para deixar um fio de ar passar.

— Matteo. Onde ele está? — exigiu Antonella, pressionando o cano da arma mais fundo na carne do homem.

O italiano cuspiu no chão, um sorriso ensanguentado repuxando a cicatriz no rosto.

— Você já era, Giulia — ele engasgou, a voz rouca. — O chefe não está no hotel. Ele saiu tem meia hora com duas caminhonetes. Ele disse que, se o Vincenzo falhasse, a velha das ervas saberia para onde você correu.

O ar nos pulmões de Antonella transformou-se em chumbo. A clareza mental deu lugar a um choque elétrico de puro terror. Dona Malva.

O rosto enrugado e severo da matriarca, que havia acabado de salvá-la de um colapso nervoso, piscou na sua mente. Eles estavam indo para a Zona de Expansão. Eles estavam indo para o santuário.

Dante não esperou uma ordem. Ele girou o pulso e aplicou uma coronhada seca na têmpora do segurança. O corpo do italiano desabou como um saco de cimento no lixo.

— Pro carro — rosnou Dante. — Agora.


🗣️ Matteo está a caminho do santuário da Dona Malva! Será que Antonella e Dante vão chegar a tempo de impedir um massacre, ou a velha naturopata tem suas próprias cartas na manga? Deixe sua teoria nos comentários!

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