Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 11

Cicatrizes de Vidro: Temporada 1 – Capítulo 10

Capítulo 11: O Gosto da Mentira

O SUV blindado voava pela Rodovia dos Náufragos. O velocímetro já passava dos cento e quarenta. A escuridão da pista, que cortava a Zona de Expansão de Aracaju, era absoluta, engolindo até a luz rala das estrelas. A cada curva mais fechada, os pneus grossos mastigavam o asfalto, ameaçando perder a aderência no piso molhado pela garoa.

Antonella segurava a alça de segurança do teto com tanta força que os nós dos seus dedos doíam. O motor roncava pesado, mas dentro da cabine, o silêncio era ensurdecedor. A mente dela rebobinava os últimos dez minutos. O sorriso ensanguentado do italiano no beco. A facilidade com que ele entregou o paradeiro de Matteo. O olhar de deboche antes de Dante apagá-lo.

Um gosto amargo e metálico inundou a base da língua dela. O gosto do sangue e da mentira.

Apesar da velocidade letal do carro e da ameaça iminente à vida de Dona Malva, o peito de Antonella não estava esmagado por um ataque de pânico. A dosagem dupla da fórmula botânica que ela havia ingerido mantinha o seu córtex frontal isolado do caos químico. O cortisol batia na barreira imposta pelas ervas e recuava. Essa clareza cirúrgica e fria permitiu que ela enxergasse a falha na engrenagem.

— Para o carro — a voz dela cortou o ronco do V8, seca como um estalo de chicote.

Dante não tirou os olhos da pista engolida pela escuridão.

— Se eu parar, a velha morre, Giulia. Eles têm meia hora de vantagem.

— Para a merda do carro, Dante! — Ela girou o corpo no banco de couro, os olhos cravados no perfil rígido dele. — O Vincenzo não sabia da existência da Dona Malva. Ele não sabia onde ela morava. Eu nunca falei o nome dela dentro daquele ateliê. Ele não tinha como vender essa informação para o Matteo.

Dante pisou fundo no freio. O ABS do SUV gritou. O carro de três toneladas derrapou violentamente de lado, jogando uma onda de água suja para o acostamento de terra antes de parar atravessado no meio da rodovia deserta. O impacto jogou Antonella contra o cinto de segurança.

A respiração de Dante preencheu a cabine. Ele olhou para ela, a compreensão caindo como um bloco de gelo.

— O segurança mentiu — constatou ele, a mandíbula travada.

— Ele entregou exatamente o que a gente temia ouvir. Ele sabia que entraríamos em desespero e pegaríamos a estrada mais vazia e escura da cidade no meio da madrugada. Ele não mandou a gente para um resgate.

Antonella engoliu a seco. O suor frio escorreu pela sua nuca.

— Ele mandou a gente para um corredor da morte.

No segundo em que as palavras saíram da boca dela, a escuridão absoluta do trecho à frente foi rasgada. A duzentos metros de distância, dois pares de faróis de milha brancos e cegantes acenderam de uma vez só, inundando a cabine do SUV com uma luz agressiva. Dois motores a diesel rugiram em uníssono. As caminhonetes de Matteo estavam bloqueando a rodovia, esperando por eles.


🗣️ Armadilha na rodovia! Antonella descobriu a mentira, mas parece que tarde demais. Com dois carros bloqueando a pista, eles devem acelerar para uma colisão frontal ou tentar recuar? Comente o que você faria!

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